Principais Aspectos do Seminário Catarinense de Teste de Software

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Ocorreu em 19 de setembro de 2008 em Florianópolis o 1º Seminário Catarinense de Qualidade e Teste Software. O evento foi uma iniciativa privada em parceria com Senai SC. Conduzido por Erika Tatiana Hmeljevsk, diretora regional da Associação Latino – Americana de teste de software (ALATS) de Santa Catarina, reuniu profissionais da área de teste de software da região sul do país. Houve nove palestras, na média, todas com conteúdos relevantes e pertinentes.

Resumi as palestras que mais me chamaram atenção.

A palestra “Projeto de software com testes unitários”, apresentada por Lucas, que é desenvolvedor, mostrou e exemplificou o uso de TDD (Test-Driven Development) em projetos. O desenvolvimento orientado a teste consiste basicamente em adicionar o teste que inicialmente falhará, codificar e depois refatorar o código se necessário. Nas palavras do palestrante: “Durante os primeiros dias de cada iteração, nós discutimos as stories com o cliente. Nós utilizamos toda a informação capturada através das iterações com os clientes para escrever high-level test cases para cada story. Quando o desenvolvedor inicia a codificação de uma story, ele estuda os test cases para garantir que as funcionalidades básicas foram entendidas. Assim que a codificação inicia, é escrito um teste executável simples para a story. O programador escreve código para fazer o teste passar e então mais testes unitários podem ser adicionados para adequar a cobertura.” [1]

A palestra “Automação de Testes: Mitos e Verdades” ministrada por Elias, enfatizou que é necessário estudar a ferramenta, que é recomendável priorizar a automatização escolhendo, por exemplo, testes de funcionalidades críticas, repetitivos e de regressão. O custo inicial da automatização é alto, trata-se de investimento de longo prazo, sendo o engenheiro de teste aquele que realiza a automatização codificando os testes e sendo capacitado para optar pela melhor ferramenta. As ferramentas de automatização de testes são muito caras variando, no exemplo citado na palestra, de 2 a 10 mil dólares por uma licença, de um usuário, de um módulo. Existem ferramentas opensource como: JMETER, OpenSTA, Webload, entre outras. Outro aspecto ressaltado foi que o teste automatizado nunca vai substituir o manual, a ferramenta executa de forma linear os casos de teste, diferentemente da execução humana que ao se deparar com algum bug consegue fazer testes exploratórios saindo do roteiro inicial visando encontrar outras falhas. Em contrapartida, a ferramenta executa os testes rapidamente, sem se cansar e sem variações de humor. [2]

A palestra “Processo de Teste tratado como Projeto” por Moreira, foi fundamentada no PMBOK. Apresentou o processo de teste enquanto planejar, projetar, executar, analisar resultados e gerenciar erros. Tudo se passa como se fossem três projetos: o desenvolvimento do software, o de testes e o que o cliente percebe. Enfatizou o projeto de testes. Comentou sobre os papéis dentro da equipe do projeto de testes: testador, analista de teste, arquiteto de teste, líder do projeto que seria equivalente ao gerente do projeto, mas hierarquicamente abaixo do gerente do projeto. Ele evidenciou que o papel da equipe de teste é: “fazer parte da equipe de projeto de desenvolvimento de software, dentro de uma estrutura matricial, devendo estar envolvida desde o inicio do projeto até o seu término.” [3]

Na palestra “A qualidade aplicada no processo de testes: Da análise dos requisitos até a geração dos casos de testes” apresentada por Marcello, são propostos processos de revisão e análise de ambigüidade aplicados aos requisitos e aos casos de teste para melhorar a qualidade. Há três processos de revisão: informal, por pares e formal. O processo formal possui sete etapas: planejamento, abertura, preparação, reunião de revisão, correções, atualização, repetição da revisão (opcional). Nesse processo há papéis e responsabilidades como: coordenador, moderador, autor, apontador e revisores. O palestrante mostrou pontos importantes a respeito da equipe de testes no contexto do projeto “é importante que a equipe de testes inicie no projeto o mais cedo possível, os testes não comecem só quando o sistema estiver pronto, as revisões em cada etapa do processo reduzem a propagação das falhas para a etapa seguinte” [4]. Exemplificou também boas práticas de redação de casos de teste tais como não engessar dados, ter cuidado com informações excedentes ou limitantes. A análise de ambigüidade nos requisitos e a verificação de consistência, também foram recomendações importantes.

A palestra “Agilidade e Qualidade: Lados da mesma moeda” conduzida por Adail abordou o ciclo PDCA: Plan, Do, Check, Act. Depois apresentou uma visão de Qualidade na qual expectativa do cliente, resultado e especificação são vetores com direção e sentido, e a falta de alinhamento entre esses vetores caracteriza um problema. O palestrante considera a tentativa de excesso de controle de prazo, escopo e custo – a tríplice restrição do gerenciamento de projetos – como causadora dos problemas em projetos de desenvolvimento de software: inflexibilidade, má qualidade, falta de visibilidade, atrasos e falta de confiabilidade. Estimativas devem sempre ter dois números, determinando uma faixa, ou um número e uma porcentagem, não devendo ser considerada como compromisso; mudanças acontecem e nem sempre devem ser evitadas. Com base nesses argumentos, apresentou as metodologias ágeis e suas principais práticas: ciclos curtos ou fluxo contínuo, testes unitários, integração e testes contínuos, refatoração, colaboração entre desenvolvedores, programação em pares, revisão por pares e inspeções, cliente mais próximo, lições aprendidas. [5]

Não houve muita ênfase comercial nas palestras e de uma forma geral o evento cumpriu seu propósito congregando profissionais da área de teste de software, que puderam compartilhar experiências, trazendo conhecimento e luz sobre alguns assuntos já conhecidos.

Aqui podem ser verificados os comentários de um dos palestrantes e estão disponíveis as apresentações para download.

Referências Bibliográficas:

[1] Lucas Nazário dos Santos Projeto de software com testes unitários

[2] Elias Nogueira Automação de Testes: Mitos e Verdades

[3] Trayahú Moreira Processo de Teste tratado como Projeto

[4] Marcello Lima  A qualidade aplicada no processo de testes: Da análise dos requisitos até a geração dos casos de testes

[5] Adail Retamal  Agilidade e Qualidade: Lados da mesma moeda

2 Respostas to “Principais Aspectos do Seminário Catarinense de Teste de Software”

  1. andrepanta Says:

    Bem legal Dani!

    Temos que criar o hábito de criar este tipo de report em todos os eventos que vamos. Assim, melhoramos a assimilação e divulgamos para todos.

    Até mais !

  2. Lucas Says:

    Oi,

    Muito bom o post com as tuas percepções do seminário.

    Eu acho que qualquer evento é uma composição de várias pequenas atividades, que vão desde a organização, passando pela apresentação das palestras e interação do público com os palestrantes, até os artigos e posts que a comunidade constrói com as considerações, coisa tu fizeste com mestria.

    Continue com esse ótimo trabalho, com esse ótimo blog.

    Um abraço,
    Lucas

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