Lugar entre os grandes: Asterisk está maduro para o mercado corporativo?

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Caros colegas do Ensinar,


 

Tomo a licença de escrever este artigo abaixo, intitulado “Lugar entre os grandes: Asterisk está maduro para o mercado corporativo?”, baseado na análise escrita por Flávio E. Gonçalves na revista Linux Magazine “Especial 3 – VoIP com Asterisk”

 

Espero que apreciem!


Executivos costumam se perguntar sobre a maturidade do Asterisk e sobre suas aplicações reais no mundo corporativo. Este artigo mostra qual é a real extensão da aplicabilidade do software PABX IP mais famoso do mundo dentro das empresas.

Com custo muito inferior as plataformas tradicionais de telefonia IP, o Asterisk se torna uma excelente opção se comparado a estas soluções. No entanto muitas empresas ainda têm uma série de dúvidas e objeções na hora de investir numa solução baseada em Asterisk. Este artigo pretende responder as principais dúvidas surgidas a partir de clientes reais que gostariam de investir em tal plataforma.

  • NÚMEROS

Pergunta: “Quando vejo análises de centrais de telefonia IP não vejo números do Asterisk. Se esta plataforma é tão adotada, por que a participação no mercado transparece ser pequena?”

Resposta: O Asterisk, pelo fato de ser uma solução baseada em código aberto, não pode ser vendido e portanto não entra nos números computados no mercado de PABX-IP. Informações dizem que o Asterisk já ultrapassou a marca de 3 milhões de downloads. Além disso o comércio de placas de telefonia voltadas para Asterisk é sólido, tendo apenas no Brasil 3 fabricantes. Se pensarmos no número de fabricantes internacionais esse número é considerável, já que este mercado já tem um conceito e investimento mais difundido do assunto. Se pensarmos que para cada solução baseada em Asterisk há uma placa de telefonia relacionada, então o valor financeiro movimentado em torno disso é razoável.

  • CONTINUIDADE

Pergunta: “Como posso saber se este grupo que desenvolve software livre vai sobreviver ou vai ficar “pelo caminho.” Se eu adotar o Asterisk há a chance de faltar suporte em um futuro próximo? “

Resposta: O desenvolvimento do Asterisk é feito em 50% pela Digium e em outros 50% pela comunidade Asterisk. É importante frisar que a Digium é uma empresa americana e que recebeu recentemente um capital de U$ 13,8 milhões do grupo Matrix Partners, sendo que nos últimos 24 trimestres vem mantendo lucro e se desenvolvendo. As soluções baseadas em Asterisk ainda irão se manter e se aperfeiçoar por muito tempo.

  • MODELO DE NEGÓCIO

Pergunta: “Como uma companhia pode ser lucrativa doando software? Com que recursos ela vai continuar investindo?”

Resposta: A Digium e tantas outras empresas possuem várias linhas de atuação em outros produtos, apesar do enfoque no segmento de telefonia. Mantendo o exemplo da Digium, a maior parte da receita dela vem da venda de placas de conexão com a PSTN, Switchvox (centrais telefônicas que combinam código aberto e proprietário), licenciamento da versão Business do Asterisk, treinamento e venda de serviços diversos. Como é fácil de observar, a versão “gratuita do Asterisk” é responsável por uma fatia muito pequena do faturamento da empresa.

  • SUPORTE

Pergunta: “Como posso confiar nessa plataforma se não há quem lhe preste suporte?”

Resposta: Desde 2005, milhares de pessoas vem sendo treinadas no Brasil e em todo mundo, sendo que na maioria dos estados brasileiros já existem pessoas que trabalham com Asterisk. Recentemente foi lançada uma iniciativa chamada de Rede VoIP Experts de Serviços (www.voipexperts.com.br) que já possui nos dias de hoje credenciamento nas principais capitais do Brasil e até em cidades do interior. A Digium possui uma certificação para profissionais “do ramo”, chamada dCAP, que pode ser apresentada por estes profissionais para atestar a credibilidade e qualidade de seus serviços.

  • QUEM USA

Objeção: “O Asterisk ainda não é adotado no mercado corporativo.”

Resposta: Grandes empresas no Brasil já adotaram o Asterisk (Ex.: Martins Atacado e Polícia Rodoviária Federal). Além do mercado corporativo, o Asterisk tem crescido muito no mercado de operadoras de telefonia e call center. O mesmo fenômeno que ocorreu com o Linux acontece com o Asterisk: os ambientes corporativos, na maioria dos casos, estão a combinar soluções proprietárias com soluções de código aberto, baseadas em Asterisk.

  • EXTENSÃO

Objeção: “Disseram-me que o Asterisk não consegue chegar a mais de 200 ramais.”

Resposta: Uma lenda “propagandeada” por empresas que vendem soluções concorrentes ao Asterisk. Já existem instalações no Brasil com mais de 1000 ramais, usando Asterisk. A questão é como projetar e distribuir a carga na solução adotada. É fato que um único servidor pode facilmente chegar a mais de 200 chamadas simultâneas e ter mais de 1000 ramais.

  • FACILIDADE

Pergunta: “O Asterisk é muito difícil de usar e só pode ser instalado por “nerds”?”

Resposta: A 3Com e a Dell licenciaram recentemente o Asterisk e vendem soluções de fácil instalação. Existem algumas distribuições como o TrixBox e o AsteriskNow, que visam simplificar todo um processo por meio de interface gráfica e CD’s de instalação automática. No Brasil temos várias soluções no mesmo “estilo”, sendo que a maioria segue a interface gráfica do FreePBX, praticamente criando um padrão no nosso mercado.

  • REDUNDÂNCIA 

Pergunta: “É possível ter redundância com o Asterisk?”

Resposta: O Asterisk permite todos os recursos de segurança necessários, como servidores de tolerância a falhas e balanceamento de carga. Ainda temos o fato de os telefones IP estarem passíveis de alimentação por meio de switches de rede usando POE (Power Over Ethernet), o que permite a operação deste mesmo que falte energia e que haja um no-break centralizado, por exemplo.

  • POLÍTICA

 Objeção: “Nossa companhia não usa software livre e conservamos a política de comprar apenas software com garantia de fabricante.”

Resposta: Muitos de nós já usamos software livre alguma vez na vida, mesmo que ainda não tivéssemos percebido. Vários equipamentos de centrais telefônicas que utilizam hardware proprietário, por exemplo, usa Linux como sistema operacional. Citando novamente a Digium, está comercializa uma versão do Asterisk chamada Asterisk Business Edition, que possui garantia de fabricação e é vendida como software convencional, justamente se encaixando a empresas que tem impedimento de uso de software livre.

  • INSUCESSOS

Objeção: “Eu tenho ouvido de casos de insucesso com o Asterisk.”

Resposta: Todos os projetos, sejam eles de que área for, estão sujeitos a falhas e insucessos. Com o Asterisk não seria diferente. Existem muitos profissionais (integradores) que não detém condições de atender o cliente, seja na parte de implantação do Asterisk ou das plataformas proprietárias. A telefonia IP é uma tecnologia mais complexa que as centrais TDM comuns. Fica um tanto quanto óbvio que um “PABX computadorizado”, que tem correio de voz, URA, distribuição automática de chamadas com/sem balanceamento de carga e mais uma infinidade de recursos terá uma complexidade maior no suporte que uma central com quatro troncos analógicos e dezesseis ramais, sem nenhum recurso e que, basicamente, liga e transfere chamadas.

 

 

Depois de respondidas as principais perguntas e objeções é interessante que as dicas abaixo sejam lidas e interpretadas por todos que estão ou estarão envolvidos com um projeto baseado em uma solução Asterisk.

DICA 1: Escolha o Asterisk para o trabalho certo. Se você tem uma central telefônica de pequeno porte e quer apenas ligar e transferir algumas ligações, não desejando futuramente agregar nenhum serviço adicional a ela, então fique com a central apenas. A telefonia IP só é justificada no caso de ganhos de produtividade advindos dela, como mobilidade, correios de voz, URAs e filas de atendimento, por exemplo.

DICA 2: Instalar o Asterisk é fácil, difícil é implantá-lo. Um projeto relacionado a Asterisk deve levar em conta uma análise de ambiente, treinamento do corpo de administradores e usuários, suporte pós-venda e desafios que surgirão após a implantação. Se uma empresa diz que implanta o Asterisk em poucas horas ou em um único dia, desconfie. Nesse período você instala, não implanta. Infelizmente esse é um dos motivos mais freqüentes de expectativas não realizadas.

DICA 3: Considere os custos de suporte. O profissional que trabalha com Asterisk geralmente possui conhecimentos de rede, telefonia e Linux intermediários ou avançados. Não se paga a profissionais como estes o mesmo que se paga a técnicos de centrais analógicas, sendo que o custo para manter as centrais de telefonia IP são normalmente maiores que os de centrais analógicas de pequeno e médio porte e paralelo aos das centrais digitais sofisticadas.

DICA 4: Pense 2, 3, 4 vezes antes de usar softphones como único meio de comunicação entre usuários. Apesar de existirem bons softphones, como EyeBeam (pago e com instalador para Linux e Windows) e Twinkle (gratuito e instalável apenas no Linux), dar suporte a eles pode ser bem trabalhoso. Ao instalar um conjunto de softphones é preciso levar em conta que um grande número de placas de som das máquinas pertencentes aos indivíduos da rede não vai se adequar a solução. Máquinas com pouco poder de processamento e escassa quantidade de memória, idem. Por outro lado, há o porém do controle de volume ser feito em 3 possíveis lugares: PC, softphone e head-set. O usuário final sempre dá um jeito de colocar qualquer um desses em mudo….e isso é mais um motivo para fracasso em algumas implantações.

DICA 5: “Tudo na vida começa com bons alicerces”. Servidores bem dimensionados e de qualidade ajudam. Administradores, de rede ou de outra categoria, bem treinados dentro da equipe e que já passaram por outros grandes projetos, muitas vezes, fazem diferença entre sucesso e insucesso. Treinar o usuário final para utilizar a solução da maneira correta é importante para manter ou aumentar o ganho de produtividade.

DICA 6: Escolha com cuidado o hardware IP a ser usado, seja ele um telefone IP, ATA, switch, gateway ou outros. Existem diversos fabricantes e uma grande maioria deles tem produtos de baixa qualidade com apelo financeiro (“Made in China”). Por exemplo: uma quantidade de telefones IP ruins em uso são capazes de prejudicar muito um projeto, pois podem gerar desconexões freqüentes, problemas na qualidade de voz entre outros.

 

 

Acredito que este artigo tenha sido bastante esclarecedor sobre o Asterisk. Soluções tendo como base este PABX IP de código aberto tem muitos pontos bons, mas é preciso estar esclarecido de como, onde e porque implantá-lo, levando em conta o suporte e as necessidades reais para isso. Espero que tenham apreciado este assunto e voltarei a escrever algo relacionado ao Asterisk futuramente.

6 Respostas to “Lugar entre os grandes: Asterisk está maduro para o mercado corporativo?”

  1. Wesley Volcov Says:

    Muito bom o post. Parabéns! =)

  2. Anonymous Says:

    [quote]o porém do controle de volume ser feito em 3 possíveis lugares: PC, softphone e head-set. O usuário final sempre dá um jeito de colocar qualquer um desses em mudo[/quote]
    Fato!

    O proprio asterisk já tem alguma proteção implementada? (tipo criptografia ou algo do gênero), ou quem for utilizar que tem que cuidar disso? Me veio a cabeça essa pergunta depois de vir a mente de que um “man in the middle” é praticamente um grampo!

  3. Juliana Says:

    Olá!! vc neste post mencionou 2 exemplos de bons softphones, mas eu estava querendo uma dica de um que faz o serviço de envio de fax,eu fiz uma configuração usando o zoiper,deu tudo certo mas aparece a logo do zoiper no fundo do arquiv, eu queria um que não apareça nenhuma propaganda, vc tem algum p/ me indicar?

    Desde já agradeço!!

  4. Mario Rosario Says:

    Como se faz redundancia por software asterisk Micro1 e Micro2 active/redundancia

  5. Rodrigo Ribeiro Says:

    Mario Rosario,

    Se eu bem entendi sua indagação, você quer saber como pode ser feita uma solução em Failover ou Cluster em Asterisk. Particularmente eu nunca configurei uma solução dessas, mas posso indicar alguns links para você, eis abaixo:

    * Asterisk High Availability Solutions;
    *Asterisk Failover (Virtual IP) solution;
    * Cluster Asterisk com Heartbeat

    Para quaisquer outras dúvidas, o “oráculo” Google pode lhe salvar (pesquisa com os termos “asterisk cluster failover”)

    Espero ter auxiliado você. Até mais!

  6. Vitor Rozsa Says:

    Obrigado pelo artigo!

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