IPComm2008 – A epopéia e minhas impressões – Final

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Ato Final

          Após isso voltei ao “Auditório Amarelo”, para não sair mais. Muito pelo interesse em alguns dos assuntos que estavam por vir. E também pelo número de opções de palestras em outras salas ter diminuído. A palestra seguinte foi “O fim da escravidão no telefone”, ministrada por Jon “maddog” Hall (Linux International), sua segunda no evento. Basicamente esta segunda palestra complementou o conteúdo da primeira ministrada por “maddog” (O software livre na telefonia) e a ministrada por Denis Galvão (iSolve – “Freerunner, dissecando o seu próximo PDA“). A idéia central da apresentação é que tudo presente em um celular deve ser baseado em software ou tecnologia livre, para não depender de impostos, licenciamento, tecnologia ou operadoras. O Freerunner foi dado como exemplo de plataforma livre, pois é baseado em Linux e há grande desenvolvimento de tecnologia e aplicativos pela comunidade do projeto. É imaginável que em futuro próximo haverá uma oferta ainda maior de software e hardware para ele. Com isso o usuário, a partir do momento que faz a aquisição de um aparelho como esse, não tem mais dependência com suporte de operadora, updates de software, compra de aplicativos e etc. O usuário torna-se independente para customizar o software e até o hardware de acordo com as suas necessidades. É o fim da escravidão no celular. Em 2009 teremos uma grande concorrência entre as plataformas iPhone, Symbian (Nokia) e Android (Google). Esse já é um grande passo para visibilidade desse panorama e adesão a essa idéia.

          Finalizada a participação de Jon “maddog” Hall no ciclo de palestras (ele esteve em muitas outras palestras e continuou presente na área de estandes, sempre solicito com o público) teve início “Integrando tecnologias wireless com o Asterisk. Analisando o porquê e como conectar dispositivos wireless e redes ao Asterisk”, ministrada pelo carismático e “chocólatra” David Duffett. Desta vez David apresentou alguns prós e contras de utilizar dispositivos wireless com Asterisk, a fim de introduzir o assunto. Alguns prós:

  • Permite mobilidade no trabalho;
  • Reduz custos de infra-estrutura, doméstico e tráfico de banda;
  • Há uma grande diversidade de softphones e hardphones adaptáveis ao VoIP wireless;

          E contras:

  • Restringem-se apenas ao raio do escritório (quando não tem 3G);
  • Bateria dos hardphones móveis IP tem pouca autonomia;
  • Hardphones fixos IP precisam de conexão de energia a mais na mesa de trabalho;
  • Celulares com wi-fi ligado para uso de VoIP tornam a autonomia da bateria menor.

           O “3G + SIP” é uma das boas variantes do futuro da telefonia móvel, aliado com os smartphones, pois fortalece a idéia de “2 telefones em 1”. Foi explicado um pouco de GSM e o seu custo viável para rotear, sendo um dos pontos explorados em conjunto com o Asterisk. No caso temos o conceito de “GSM Gateway” (FXO to GSM / IP (SIP or H323) to GSM). David para finalizar ainda falou um pouco da sua última pesquisa com implantação de Femtocells em ambientes Asterisk e dos aspectos técnicos da placa “KGSM-40SPX – c/ 4 módulos GSM”, feita pela Khomp em conjunto com a Digium, que basicamente permite o roteamento de chamadas para operadoras GSM.

         Finalizada a apresentação, David Duffett deu seguimento iniciando sua última palestra no evento com o tema “Usando reconhecimento de voz com Asterisk. Uma visão da tecnologia, alguns detalhes do dialplan e dicas de implementação”. Essa última apresentação foi mais um explicativo da “speech engine licenciada” (biblioteca) da empresa LumenVox, que apesar de paga é praticamente a única do mercado com suporte completo para Asterisk e reconhecimento de voz nesse. No caso há um projeto em Java (Open Source) de uma biblioteca de reconhecimento de voz chamado Sphinx, podendo ser uma alternativa futura para o Asterisk, pois está em constante melhoria. Uma das normas envolvidas com o reconhecimento de voz é a RFC 2234, para aqueles que tenham mais curiosidade em “speech engines”. Acredito que David Duffett executou muito bem o seu papel no evento, passando o conteúdo técnico e teórico relacionado a Asterisk, seja para os mais leigos ou para os profissionais da área, de forma concisa e bem explícita não deixando dúvidas ao pessoal mas um desejo maior de saber e aprender mais desta solução em telefonia IP poderosíssima.

          Chegando a metade do período vespertino e dando continuidade ao evento, Moises Mejia (Dialogic) deu início a “palestra comercial” (mais uma delas, a exemplo da ministrada por Ricardo Franco, também da Dialogic) intitulada “Como desenvolver aplicações CTI usando HMP”. Moises Mejia mostrou e baseou sua apresentação em um vídeo explicativo da Dialogic apresentando as mais diversas soluções ligadas a CTI (Computer Telephony Integration) e HMP (Host media processing), desde tecnologias móveis, de redes, IP-PBX, Media Gateway para Contact Centers e vídeos on-demand para usuários (3G, video mail, mobile TV, e etc), aliadas as plataformas licenciadas pela Dialogic. Alguns conceitos importantes da apresentação foram os tipos de sinalização usada (SIP, H323), formato dos vídeos em HMP (Sendo o 3gp amplamente usado) proteção de sinalização (TLS) e os hardwares específicos aptos a rodar as soluções, funcionando tanto em Linux ou Windows. Alexsandro Neves (Voice Technology) que participou do evento como espectador vem fazendo estudo sobre soluções com HMP. Aqueles que estiverem interessados no assunto podem entrar em contato com o mesmo. 

Fizemos uma parada para um “coffee break” e voltamos ao “Auditório Amarelo” para as últimas três palestras do evento. “Asterisk e sistemas embarcados”, ministrada por Flávio E. Gonçalves (V.Office) foi a primeira das três. Este palestrante escreve artigos com frequência para a Revista Linux Magazine, sendo que alguns assuntos abordados por ele serviram como base para alguns posts da minha pessoa neste mesmo blog. Flávio explicou alguns conceitos relacionados com sistemas embarcados, como DSP, FPGA, FPU, MMU e etc. Uma solução embarcada, independente da “aplicação que leva”, em termos de hardware e software é benéfica em:

  • Consumo de energia;
  • Nível de ruído, que é baixo;
  • Tarefas de processamentos, pois são subdivididas entre CPU’s especializadas, e não centralizadas em uma só, agilizando o trabalho e fazendo com que a CPU central trabalhe “pouco”;
  • Acessibilidade para empresas de pequeno e médio porte.

          E os contras são:

  • Processamento limitado;
  • Soluções “não-escaláveis” e aplicáveis somente para pequenas e médias empresas, ou no máximo a alguns setores de grandes empresas;
  • A pesquisa e geração de tecnologias relacionadas aos softwares embarcados são executadas em poucos países. Geralmente você “importa” os circuitos e equipamentos para implementar (“montar”) na solução desejada.         

O Asterisk, geralmente, deve ser customizado para ser embarcado em uma plataforma dessas. Hoje temos duas “opções” de Asterisk (em termos de software) para sistemas embarcados: o AstLinux e o AstFin (Informações no Fórum ou no Blog). No Brasil já tivemos a venda muitas soluções de sistemas embarcados (hardware) voltados para a telefonia, principalmente da empresa israelense Xorcom (que tem a V.Office como parceira e representante). Para se ter uma idéia: Hoje os dois appliances que mais se destacam no mercado são os que contém processadores “Geode LX800” (solução Xorcom XR1000) e “PowerPC 533” (solução Pika appliance Warp). O primeiro tem desempenho de 12 chamadas simultâneas com cancelamento de eco e permite rodar a versão “original” do Asterisk, enquanto o segundo tem desempenho de 8 chamadas simultâneas com cancelamento de eco, mas usa uma versão de Asterisk customizada pelo fabricante. O número de usuários para um sistema desses é de cerca de 50. Para finalizar, em contato com o Flávio depois da palestra tomei ciência de 2 fatos:

  • A empresa V.Office tentou em tempos atrás começar a gerar “tecnologia” referente a sistemas embarcados voltados para a telefonia. Os projetos não resultaram efeito devido ao custo para alocar tempo e recursos de projeto destinado a isso, fora profissionais qualificados para o assunto. Hoje quando falamos em “appliances brasileiros”, voltados para telefonia IP, falamos de produtos apenas “montados” aqui, não “desenvolvidos”;
  • Os testes de desempenho de sistema na V.Office são feitos usando várias ferramentas de simulação de sinalização (ambientes E1->SIP, por exemplo), dentre elas o SIPp. Eles também usam medições de CPS (chamadas por segundo) e chamadas simultâneas para determinar performance.

          Concluindo: o assunto foi muito interessante e satisfez minha curiosidade quanto conceito de hardware e software da área eletrônica ligados com telefonia e Asterisk. E ver que na área de testes da V.Office são usados alguns conceitos também usados na Voice Technology para aferição de potencial e qualidade da solução.

           A Voice Technology “voltou a cena” para a sua segunda e última palestra no evento, “Executando testes de performance em plataformas SIP, utilizando SIPp”, ministrada por Daniel Sakuma e Antonio Anderson. Os principais tópicos abordados e o conteúdo base passado foram:

  • Testes de performance executados com o OpenSER usando SIPp, baseando-se apenas em sinalização;
  • Usar o SIPp para testes de “carga” e procura de “gargalos”, e não com objetivo de “caça aos bugs”, sempre avaliando o custo benefício que cada bateria de testes terá e qual será sua profundidade;
  • Seguir o processo “PDCA” (Plan, Do, Check, Act – planejar, fazer, checar e atuar), envolvendo as equipes de Testes, Dev e Infra, buscando aprimorar a performance do sistema;
  • Buscar padronizar e automatizar os testes, monitorando recursos de mídia, infra-estrutura e aplicações;
  • Características do SIPp (licença GPL, aborda todas as plataformas, usa arquivos “.xml” para construção de cenários e arquivos “.csv” para massa de dados);
  • Testes com SIPp se baseiam em análise da sinalização SIP (register, invite, bye, etc.);
  • Uma das medições mais levada em consideração nos testes é o CPS (chamadas por segundo);
  • Explicação de cenários de testes (configuração das máquinas, arquivos do SIPp, sinalização, monitoração de rede, CPU e processamento com seus respectivos limiares de aceitação (90%, 75% e 75%), etc.) com apresentação dos gráficos de desempenho.

          Apesar de ser a penúltima palestra do último dia do evento, o interesse do pessoal na parte de perguntas ao final da apresentação foi bom, demonstrando entendimento e curiosidade sobre o conteúdo passado. Creio que este feedback passado pelo público foi de suma importância para saber que nós, Voice Technology, estamos trilhando o caminho correto, seja no “executar” ou no “apresentar”, sempre disseminando conhecimento. As oportunidades sempre estarão a aparecer para mostrar isso, sem dúvida. Parabéns acima de tudo a todos os palestrantes da Voice Technology no evento, primeiro de muitos que virão!

          A última palestra do evento foi “OpenSICAST, uma plataforma aberta para gerenciamento de Contact Centers”, ministrada por Fabrício Raupp Tamusiunas (Nic.br). No caso o SICAST é um sistema baseado em Asterisk voltado para Call Centers, como dito no título desta palestra. Pude visualizar que ele se assemelha em muitas funções com o Basix (Ex.: controle e gerenciamento de usuários por Interface WEB, log de auditoria, controle de presença de usuário, etc.). As características e (ou) “diferenciais” desse tipo de solução para Call Centers apresentados no evento são:

  • Controle de filas, atendentes e gerenciamento de chamadas para grupos;
  • Já está adaptado as novas regulamentações de Call Center, gerência de atendimento e a legislação brasileira;
  • Utiliza “Asterisk Manager”;
  • Gera muitos relatórios de controle de chamadas, tempos de atendimento por PA, controle de filas e etc., usando as ferramentas “iReport” e “Jasper Report”;
  • É focado em Linux, seja para servidores ou para uso de interface WEB pelo usuário final e gerência pelos administradores do sistema;
  • GUI em tempo real;
  • Apresenta um relatório de logon no sistema, associado ao IP do usuário;
  • Controle do administrador do sistema para escolher o nível de presença das PA’s (online, offline, almoço, etc.);
  • Possibilidade de usar servidores em redundância com o Asterisk e MySQL;
  • MySQL com SGBD.

          A solução apresentada por Fabrício foi bem abordada no evento, trazendo ao conhecimento do público uma solução já adaptada ao mercado e suas novas regulamentações vigentes, com a finalidade de atender uma demanda atual dos Call Centers que necessitam desse tipo de ferramenta, seja para aperfeiçoar ou atualizar sua infra-estrutura.

Considerações Finais

 

          O evento foi bem organizado, apesar do número bem abaixo de espectadores, com profissionais qualificados e apresentações trazendo bom conteúdo ao público. Nos intervalos era possível dirigir-se a área de estandes das empresas e conversar com os envolvidos no evento, que estavam solícitos a “troca de idéias”. O material comercial entregue e disponível no evento (informativos) também foi útil para saber das empresas presentes no mercado de telecomunicações e as idéias e soluções presentes nesse.As apresentações do evento (as empresas não eram obrigadas a disponibilizar) se encontram no site da IPComm2008, para aqueles que queiram mais informações.

 

             Espero que tenham gostado dos três posts relatando os acontecimentos desse evento, e que outros mais possam vir a acontecer. Por enquanto ficamos por aqui (ufa…fazer esse “brainstorm” com as minhas anotações e lembranças foi cansativo!).

 

          Obrigado pela atenção de todos que fizeram esta leitura.

 

          Até a próxima!

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