IPComm2008 – A epopéia e minhas impressões – Parte 2

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Segundo Ato

Desta vez não continuei no “Auditório Amarelo”, apesar do próximo palestrante ser David Duffett. Me “aventurei” no “Auditório Vermelho”, onde os temas estavam ligados a “comunicação IP avançada”. Chamou-me a atenção a palestra sobre “IPV6: a necessidade de um novo protocolo”, a ser ministrada por Antônio Moreira (Nic.br). Era um assunto que eu já tinha ouvido falar e estava muito interessado em saber mais sobre ele. E não me arrependi do conteúdo passado. O conteúdo inicial se referiu aos primórdios da Internet, explicando o que é e como foi feita a primeira distribuição de IP’s no mundo. Os órgãos que regem as regras e cuidam dos IP’s no mundo são o ICANN e IANA, tendo subdivisões regionais como a LACNIC, AFRINIC, culminando com as subdivisões locais como a NIC.br. Hoje os IP’s são regidos em cima do IPV4, que é um modo de distribuição de números IP’s com 32 bits de dados e sub-classes (A,B e C) para dividir os dispositivos e níveis de rede. O problema é que no começo da internet a distribuição de IP’s foi feita de forma errônea e dispare, sendo que há zonas do planeta, e empresas, que tem um número muito maior de IP’s do que a demanda para uso deles; junto a isso tivemos o crescimento avassalador da Internet. Estamos chegando perto do momento em que faltará endereçamento para os dispositivos conectados na rede mundial. Temos soluções paliativas no momento para tratar disso (DHCP, NAT, CIDR, e a RFC 1918), mas é imprescindível termos uma solução até o ano de 2010, fora o tempo de implementação em hardware e software para isso.

O nome da solução é IPV6. Enquanto no IPV4 temos cerca de 4 bilhões de endereços IP, no IPV6 temos 79 trilhões de vezes mais números que no IPV4 (128 bits). Com isso é fato que haverá suporte para o crescimento cada vez maior dos dispositivos interligados por meio desta grande rede chamada Internet. Mas temos que pensar que o tempo para a adaptabilidade, tanto de software como hardware, é grande e gradual, pois tudo terá que se adaptar (Ex: computadores com IPV4 devem “conversar” com computadores com IPV6 e vice-versa). Enquanto no IPV4 o endereço IP é representado por 4 conjuntos de 8 bits separados por ponto (“192.168.86.167”) no IPV6 é representado por  8 grupos de 4 dígitos hexadecimais, separados por dois pontos (“3ffe:6a88:85a3:08d3:1319:8a2e:0370:7344”), sendo que desse modo haverá um pouco de dificuldade para decorar o endereço IP de alguém, seja público ou privado.

Certamente é um assunto muito interessante, e de material muito vasto na Internet. Um site que contém bastante material sobre isso é o www.ipv6.br. Uma das palestras mais interessantes do evento, sem dúvida.

Animado com o conteúdo da última palestra dirigi-me a “Sala Coral”, onde conferi “Serviço de comunicação total para provedores VoIP”, ministrada por Ricardo O. Souza (Bravo! hiPer Telefonia). Acabei me decepcionando, pois o conteúdo foi muito limitado (a apresentação tinha 2 slides!!!) e o palestrante não correspondeu as expectativas do público, em termos de informações técnicas. No máximo, tratou-se de uma apresentação de uma “suposta” solução da empresa relacionada com centralização de serviços de telefonia IP com “instant messenger corporativo”, de “fácil acesso” via meios móveis. E foi somente isso.

Para finalizar o primeiro dia do ciclo de palestras do evento voltei ao “Auditório Amarelo” para prestigiar a primeira palestra da Voice Technology no evento, intitulada “Openser em cluster: utilizando LVS e Keepalived”, ministrada por Noel Rocha e Marcos Hack, onde o objetivo é utilizar destas duas ferramentas para criar clusters de alta disponibilidade.

Sobre o IPVS (“Software de balanceamento de carga avançado de IP”, de acordo com a Wikipedia:

  • Criado pelo projeto LVS (a meta do projeto era desenvolver um kernel de alta performance) para prover serviços virtuais e servidores reais;
  • Director Server é a máquina de recebimento de requisições (virtuais);
  • Pode atuar em 3 modos: NAT, Tunneling (TUN) ou Direct Routing (DR);
  • Possui algoritmos de balanceamento de carga, sendo o mais usado o “Round Robin” (rr);
  • IPVS é configurado de maneira estática (ferramenta: ipvsadm).

Sobre o Keepalived:

  • Verifica “failover” de máquinas, links, etc.;
  • Utiliza protocolo VRRP, para realizar failover automático de roteadores;
  • Healthchecking – disponibiliza framework de verificação de serviços a fim de testar cada real server associado a um virtual server. Se um falha, ele é retirado com a ajuda do IPVS, ou seja, IPVS e Keepalived trabalham sincronizados e um “completa” o outro;
  • SIPSAK – testa o cluster do Openser por meio de sinalizações SIP. Se o resultado retornado é “0” está OK, “1” não está OK.

Outro termo abordado, envolvendo IPVS e Keepalived, foi o conceito de “arquitetura flat”, onde há Directors Servers funcionando como Real Servers e com verificação em cascata, para não permitir looping.

Sobre o Openser, alvo da análise:

  • SIP Proxy amplamente difundido na comunidade de código aberto e soluções para telefonia IP, mas que já passou e passa por uma “novela de crise de identidade”, pois temos o SER, Kamailio, Openser, etc;
  • Pode funcionar em “stateful” e “stateless” (padrão);
  • No modo “stateless” não há maneira de programar “forward”, “billing”, “still alive” e manter as informações de uma chamada na memória, mas é simples e mais versátil. No modo “stateful” temos acesso as configurações que não estão disponíveis no “stateless” e ao módulo “nathelper”;
  • Módulo “nathelper” – mantém conexões client-servidor no Openser em cluster. Usa “ping” de tempos em tempos para verificar conexões.

Formas de replicação:

  • “t_replicate” – função que replica as mensagens SIP para todos os servidores de registrar, para que não haja perdas de informação;
  • “DB backend” – funciona da mesma forma que o “t_replicate”, mas usa um banco de dados como auxiliar. Pode parecer mais seguro, mas o acesso as informações torna-se mais lento.

Apesar de ser a última palestra do primeiro dia, e de termos cerca de 10 pessoas no auditório, incluindo o pessoal da empresa, creio que o conteúdo desta palestra foi útil e interessante, principalmente para minha pessoa, que está convivendo perto desse ambiente relatado pelos rapazes em apresentação na IPComm2008.

Para o primeiro dia de eventos creio que o “saldo” foi bastante positivo, pelo fluxo de informação corrente e disponibilizada pelos palestrantes. Abaixo estão os relatos do segundo dia de eventos da segunda edição do IP Communications Brasil.

Segundo dia da IPComm2008 (04-12-08)

A primeira palestra que pude contemplar no segundo dia (sendo a única existente no horário) foi intitulada “Freerunner, dissecando o seu próximo PDA”, ministrada por Denis Galvão (iSolve). No “Auditório Amarelo” o número de pessoas se manteve entre 15 e 20. Denis apresentou o Freerunner, espécie de smartphone com toda especificação relacionada a software e hardware aberta. O projeto OpenMoko é o mantenedor do Freerunner, e tem como principal líder Jon “maddog” Hall, sendo a iSolve a “representante comercial” no Brasil. Abaixo irei listar as características do Freerunner:

  • Celular, pocket PC, touch screen, media player portátil, console de games, telefone IP, controle remoto para eletroeletrônicos, lanterna (“estilo Nokia”), acesso via porta mini-usb, wi-fi (802.11b/g), aGPS, GPRS (usa “2.5G“, não EDGE), bluetooth 2.0, sensor de movimento de 3 eixos e entrada para cartão micro SD;
  • Não tem 3G, câmera e usa USB 1.1. Em versões próximas esses aspectos serão melhorados;
  • Desenvolvimento de software é feito em linguagem Python;
  • O Freerunner roda versões de SO abertos como qtextended.org, principalmente distribuições customizadas em Debian (com interfaces gráficas baseadas em KDE, XFCE, Enlightment), e Android;
  • Contém plataforma para desenvolvimento de aplicativos Java (SDK);
  • Um dos grandes reveses para aquisição é o preço (400 dólares nos EUA) que não condiz com a realidade brasileira e as opções de smartphone no mercado.

Abaixo coloco os links para os interessados em saber mais informações sobre o Freerunner, ou relacionadas a ele:

Esta palestra foi interessante para concluir que há uma alternativa para desenvolvimento de um smartphone aberto, com uma grande comunidade para auxiliar nesse processo, seja no software ou no hardware. Os grandes poréns ainda são o custo relativamente alto para os padrões comerciais e a falta de características técnicas e físicas que ainda o deixa atrás da maioria dos smartphones presentes no mercado. A relação custo/benefício de algo baseado em plataforma desenvolvida em características abertas não satisfaz.

A próxima palestra, intitulada “OpenR2 in Asterisk”, foi ministrada em inglês pelo mexicano Moisés Silva (Sangoma Technologies). Foi entregue uma apostila como material de auxílio, que estou disponibilizando no link1 e link2. Nela está contido o básico para se trabalhar com sinalização MFC/R2 no Asterisk, usando o protocolo OpenR2. Fazendo um resumo rápido da apresentação, que é complementado com a leitura da apostila, Moisés passou um histórico da sinalização MFC/R2, usada amplamente na América Latina (Brasil, Argentina, Colômbia entre outros) e que tem o “problema” de não seguir uma padronização: cada país “cria” sua padronização de acordo com os circuitos telefônicos que tem e as preferências do mercado interno. O projeto OpenR2 visa criar um meio flexível e adaptável às várias configurações da sinalização R2, trabalhando e dando suporte em conjunto com o Asterisk a este tipo de sinalização. O conteúdo e o material apresentado foram bons. O palestrante demonstrou conteúdo e satisfez a “curiosidade” do público sobre o assunto (inclusive a minha).

Continuei a acompanhar este ciclo de palestras do dia me dirigindo para o “Auditório Vermelho” (“Comunicação IP avançada”) para ver “Colaboração e aplicações WEB 2.0 mudando a forma como as empresas se comunicam”, ministrada por Marcelo Leite (Cisco). O tema me chamou bastante a atenção por ser um fato (tema, bate-papo, afins…) discutido bastante em nossa empresa, seja em tom formal ou informal. Abaixo coloco um desenho, feito com base na apresentação, que exemplifica bem os pilares que levam ao sucesso da comunicação nas corporações, sendo que todos os termos se interagem:

Colaboração e Flexibilidade - 2.0

Basicamente o palestrante passou um “manual de boas práticas” a ser seguido pelo CIO da corporação (sendo também auxiliado e compreendido pelos colaboradores), onde os principais pontos (prioridades) a serem pensados, estruturados e implantados seriam:

  • Inovação constante na área de TI;
  • Segurança e disponibilidade (seja de infra-estrutura, serviços, etc.);
  • Conformidade (dados, informações, etc.);
  • *AAS (as a service), seja interno ou para o mercado;
  • Mobilidade e WEB 2.0;
  • Virtualização;
  • Plataformas Real Time;
  • Pensar em um mundo plano (quebrar paradigmas culturais e geográficos);
  • Transformar e incorporar a colaboração em massa;
  • Viabilizar novos modelos de negócios (“cultura de nicho”);
  • Tratar e trabalhar o excesso de dispositivos do cotidiano (tecnologias);

Um dos grandes desafios a ser seguido por todos de uma corporação, com base nas informações acima, é “materializar e compactar” as mais diversas tecnologias disponíveis para uso, com base na escala e velocidade que elas se disponibilizam neste meio globalizado. É importante pensar no espaço de trabalho (funcionário), na colaboração entre empresas (parceiros), satisfação do cliente (cliente) e a transformação dos negócios (líder de negócios). Porque não “cliente”, “líder de negócios”, “parceiros” e “funcionários” colaborarem entre si para o “bem estar geral”? Essa foi a grande mensagem da palestra.

Um conteúdo muito bom foi passado e creio que essa é uma discussão que deve continuar em todos os “meios” relatados no parágrafo anterior. Acredito que esse foi o assunto discutido no evento que mais se identifica com as “tendências” discutidas no dia-a-dia da Voice Technology. E vos digo: acredito seriamente que estamos no rumo certo.

Este é o fim do segundo post sobre a IPComm2008. Não percam a parte final desta “epopéia” em sua terceira parte (final).

Até mais!

2 Respostas to “IPComm2008 – A epopéia e minhas impressões – Parte 2”

  1. Curso introdutório de IPV6 « Templário da Tecnologia Says:

    […] Curso introdutório de IPV6 Junho 13, 2009 — Rodrigo Ribeiro Me deparei com esse assunto e fiquei curioso em saber mais quando tive a oportunidade de participar do evento IPComm 2008, assistindo a uma palestra sobre o assunto. […]

  2. Asterisk e MFC/R2 « Templário da Tecnologia Says:

    […] Publicado em Agosto 28, 2009 por Rodrigo Ribeiro Asterisk e MFC/R2 foi um assunto que vi e relatei após o evento IPComm2008. Lendo meus feeds fiz uma compilação de material referente ao assunto. O Alexandre Alencar […]

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