Cobertura BRATESTE 2009 (1º Dia)

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Caros leitores,

Começa aqui a cobertura de um dos maiores eventos de Teste e Qualidade de Software do Brasil, senão o maior, o BRATESTE 2009. Boa leitura!

Abertura – Emerson Rios ALATS Brasil

O Presidente da ALATS fez a abertura do evento apresentando um pouco sobre a Associação Latino-Americana de Teste de Software (ALATS) e sobre os dois projetos que ela tem: a Certificação Brasileira de Teste de Software (CBTS) e a Melhoria de Processo de Teste de Software (MPT). O primeiro com o foco na qualificação profissional e que hoje já conta com 202 certificados ( já contando os dois novos certificados de hoje, mais detalhes daqui a pouco). Já o segundo projeto foca a melhoria do processo de teste, pois como o próprio Emerson Rios disse, não adianta temos excelentes profissionais, se o nosso processo e ineficaz.

Emerson Rios ainda enfatizou a importância da comunidade de teste no Brasil, e que ela seja colaborativa. E ainda fez a platéia levantar para falar em uníssono, uma frase que ele parafraseou de Karl Marx: “Testadores do Brasil uni-vos!”

The evolution of Testing – Martin Pol – Polteq International Testing Services / Holanda

Se eu for colocar todas as minhas anotações sobre essa palestra, precisarei de vários posts (quase acabei um bloco de notas). A palestra foi sensacional! Ao seu término já valeu a pena ter participado do BRATESTE 2009, só por essa palestra. Por que eu digo isso?

  • Pelo palestrante, ser uma das maiores autoridades em Teste e Qualidade de Software no mundo;
  • Por ter provado ser digno de tal grandeza;
  • Por ter falado sobre o Teste  de Software, do seu início até os dias atuais, em 50 minutos;
  • Por ter comentado sobre assuntos que já cansamos de ouvir, mas que ouvindo um “gringo” falar parece ter mais importância;
  • E por fim, pelo Martin Pol de sido certificado CBTS, devido aos seus conhecimentos e atitudes em promover o Teste de Software no mundo todo. Martin Pol o certificado CBTS de número 201.

Using offshore partners for software factory approach – Luc Vandergoten – BTR Services/Bélgica

Luc começou a sua apresentação falando um pouco sobre a sua empresa na Bélgica, que já está há mais de 10 anos no mercado. Luc tinha duas grandes necessidades: a de mão de obra especializada, que falta na Bélgica, e de trabalhar de uma maneira internacional. E para tentar sanar as suas necessidades a sua  empresa começou a prática o Offshore, terceirizando o desenvolvimento de software para a Índia e a QA (Quality Assurance) para o Brasil.

Três fatos que o Luc Vandergoten disse na sua apresentação, me chamaram a atenção:

  • Os problemas com a Índia:
    • Cultura
      • Sempre dizer “Sim”;
      • Não aceitar falhas, sentir-se ofendido ao receber o reporte das falhas.
    • Educação
      • Foca os estudos em tecnologias velhas (ex.: Mainframe, COBOL, etc);
      • Sem inovação
    • Qualidade
      • Sem teste
  • O uso de metodologias ágeis, mas especificamente o uso do Scrum. Mesmo com o grande problema da localização diferente das equipes. Tendo que realizar a daily meeting via Skype;
  • O desafio de gerenciar um projeto que está sendo desenvolvidos em três países diferentes (Bélgica, Brasil e Índia).

Luc concluiu a sua apresentação dizendo que Offshore não é fácil, mas em contrapartida, traz boas reduções de custo. E ainda disse que soluções globais são melhores construídas globalmente.

Un Modelo para la Externalización de Pruebas SW (Um modelo para a externalização de Teste de Software) – Mamdouh El Cuera (MTP)/Espanha

O palestrante, Mamdouh El Cuera, mostrou como funciona o Teste de Software na sua empresa, focando em tratá-lo como um serviço. Para ter idéia, ele aplica conceitos de ITIL no processo de teste, e até faz uso de KPIs. Ele ainda disse que os projetos de testes fracassam, devido aos clientes pensarem que terão resultados imediatos, quando na verdade, os resultados do Teste de Software ocorrem a médio e longo prazo.

Mamdouh ainda destacou a existência de um planejamento consistente e de uma equipe de teste, formada por especialistas.

O interessante da palestra foi o tratamento do Teste de Software como serviço.

Prevenção de Defeitos – Arndt Von Staa – PUC-Rio/Brasil

A quarta palestra do dia foi a segunda melhor (na minha opinião, só perdendo para a do Martin Pol). O professor Arndt Von Staa, que está na área de computação há mais de 47 anos ( ele escreveu o seu primeiro programa em setembro de 1962), abordou com propriedade a importância da prevenção de defeitos.

Ele iniciou explicando um pouco sobre algumas terminologias (engano, defeito, erro, falha, etc). Enfatizou a importância do software ser fidedigno. Argumentou sobre as crenças existentes em TI, dizendo que não se pode esperar que os sistemas não possuam defeitos, e que mesmo em sistemas perfeitos pode haver falhas.

No final da apresentação Arndt comentou que podemos obter bons resultados com o uso de técnicas formais leves, revisões e inspeções.

Após o encerramento da palestra, Arndt Von Staa recebeu o certificado CBTS, por toda a sua bagagem acadêmica e pelos 47 anos de TI. E se tornou o 202º certificado CBTS do Brasil.

Fábrica de Teste Futuro ou realidade – Ricardo Cristalli – iTeste/Quality/Brasil

Logo de início o Ricardo Cristalli provocou a platéia, perguntando se o Teste de Software pode ser encarado como um projeto, e a grande maioria dos participantes (incluindo esse que vós fala) levantou a mão. Na sequência explicou um pouco sobre o teste ser tratado como projeto, citando o PMI.

Dentre os tópicos abordados pelo Ricardo, destaco: a otimização de recursos internos; importância da automação e da reusabilidade; a necessidade de saber onde procurar os defeitos; conhecer os atributos do software; testar não é uma atividade simples;  o processo deve representar o dia-a-dia; uso de ferramentas, somente se forem adequadas ao projeto; virtualização de ambiente de teste; sem especificação não podemos ter um bom teste.

Para fechar a apresentação, o Ricardo mostrou algumas notícias que mostram que fábricas de teste são uma realidade no Brasil, dentre as principais estão: CPM Braxis, T&M Testes e RSI.

Usando Rede Bayesiana e Critério de Adequação para Obter uma Melhor Cobertura de Teste de Requisitos – Gustavo Quezada/Brasil

Essa foi a apresentação mais técnica do dia. O Gustavo Quezada apresentou o conceitos sobre rede Bayesiana, uma rede que modela a implementação do software permitindo simular diferentes cenários. E também a importância de definir os critérios de adequação.

O uso de rede Bayesiana, geralmente, é feito em grandes projetos para garantir a cobertura de teste dos requisitos. Sendo muito útil para reduzir a falha ou ambiguidade dos requisitos, além de diminuir o retrabalho. E a rede Bayesiana ainda pode servir como um complemento as documentações do software.

MPT Melhoria de Processo de Teste de Software – Emerson Rios – ALATS/Brasil

Emerson Rios retorna ao palco, agora para dá mais detalhes sobre a MPT – Melhoria de Processo de Teste de Software. Cujo motivo do seu surgimento, foi a inexistência de uma entidade para aplicar um modelo de melhoria do processo de teste no Brasil, já que o TMM não é avaliado aqui. Além do intuito de fazer um modelo brasileiro, que seja de baixo custo, comparado ao MPS.BR e CMMI.

A MPT tem 8 níveis (de 1 até 8), que representam o grau de maturidade do processo de Teste de Software. No momento os dois primeiros níveis já estão definidos, e podem ser consultados no arquivo disponibilizado pela ALATS. E o terceiro já está em fase final e deverá está pronto em julho, que é a data prevista para a formação de avaliadores MPT.

O Emerson Rios ainda disse, que a MPT poderá ser aplicada a qualquer equipe de teste, independente do seu tamanho.

No final da apresentação o Emerson Rios ainda simulou uma entrevista da MPT nível 1 com uma participante do evento.

Central ou Fábrica de Testes – Uma abordagem para testes independentes – Adriano Romero e Ana Aquino – Borland/Brasil

Palestra de cunho mais comercial, onde os palestrantes Adriano Romero e Ana Aquino mostraram as várias ferramentas para cada área do Teste de Software, que a Borland oferece. Sendo elas:

  • Caliber Defineit – para definir os requisitos e criar as storyboard;
  • Caliber RM – realizar a matriz de rastreabilidade e estimativa;
  • Silk Central – gestão dos documentos de testes, apresentação de informações em gráficos e relatórios e rastreabilidade da falha;
  • Silk Test – gravação e execução dos testes;
  • Silk Performer – cria e executa os testes de performance e também monitora o sistema.

A Ana Aquino ainda explicou o bom e velho Modelo-V, encaixando as ferramentas da Borland de acordo com a atividade de teste.

Comparativo entre Testes Manuais, Automação e Alta-Automação: 40 projetos reais, em 8 países usando Compuware, Rational, Borland e Mercury – Marco César Bassi – CEO-Grupo HDI

Se uma pessoa chegasse para você hoje, e dissesse que ela tem uma ferramenta que cria, executa e retornar os resultados dos testes de forma automática, usando Inteligência Artificial (IA), e se você precisar simular a interação do usuário via teclado, ela tem um robozinho que faz isso. O que você acharia dessa pessoa?

  1. Um doido varrido;
  2. Um charlatão dos piores;
  3. Boa piada essa!
  4. Você sonhou com isso?
  5. Aham… e Papai Noel existe também.

Resposta correta, nenhuma das alternativas. É tudo verdade, pelo menos é o que garante o CEO do Grupo HDI, Marco César Bassi. Cuja apresentação foi muito boa, simples e direta. E o melhor de tudo, com fatos que comprovam a eficácia da sua plataforma de Alta-Automação.

A solução do Grupo HDI é vendida como serviço, eles não vendem a ferramenta. E já foi aplicada em mais de 40 projetos, em 8 países. E dentre os interessantes dados coletados, estão:

  • 89% das falhas são validações de campos e formatos (falhas bobas);
  • 100% dos sistemas tinham falhas de segurança;
  • Os países que mais erram são EUA e Índia (os americanos apenas fazem normas para os outros ler, eles mesmos não lêem);
  • O país que menos erra é a Irlanda (segundo o Marco, não foi encontrado nenhuma falha no sistema deles);
  • O Brasil é o 4º melhor país em desenvolvimento (no total são 8 países avaliados);
  • 48% de falhas em requisitos.

A palestra do Marco, fechou o primeiro dia da BRATESTE com chave de ouro, despertou muita curiosidade em saber como tudo isso funciona (tentarei buscar mais informações amanhã).

Bem, aqui encerro a cobertura do primeiro dia, espero que vocês tenham gostado. Amanhã tem mais!

Quem quiser fazer o download das apresentações do BRATESTE 2009, segue abaixo o link:

http://www.mediafire.com/file/4ol4yz5nmin/Palestras – BRATESTE 2009.zip (22.34 MB)

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3 Respostas to “Cobertura BRATESTE 2009 (1º Dia)”

  1. Rodrigo Ribeiro Says:

    Post excelente Fabrício!!

    Direto, conciso e bem escrito, fora as doses de humor essenciais. Incrível como teve tanta palestra e conteúdo para um dia apenas!

    Parabéns e já estou aguardando a parte 2.

  2. Andre Pantalião Says:

    Bem legal Fabrício,

    Pelo jeito você gostou bastante.
    Esta ferramenta que testa tudo parece legal, mas é mais focado em Web ?

    Até mais,

  3. Fabrício Ferrari de Campos Says:

    Gostei bastante sim!🙂

    Com o uso da ferramenta, o Gerador Automático de Casos de Teste (GACT), é possível testar não somente Web, mas também aplicativos windows. Eles também fazem testes de protocolos e de URAs, onde até verificam a qualidade do aúdio, comparando com o aúdio atual com o original.

    E conversando com o pessoal do stand do Grupo HDI, eles me disseram que caso exista, algum tipo de aplicativo específico, que eles não consigam testar, eles podem desenvolver. Já que eles também são uma fábrica de software.

    Algo que me impressionou muito, foi o robozinho que eles tem para simular interação humana, como por exemplo: digitar no teclado e inserir um cartão magnético.

    O trabalho deles é realmente muito inovador!

    Abraços!

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