Minhas impressões do 1º Profissão Java – 07-03-09

by

Caros colegas,

No dia 07 de Março de 2009 fiz parte de um seleto grupo de pessoas que participou da primeira edição do evento gratuito (!) intitulado “Profissão Java: O primeiro evento sobre carreira voltado ao profissional que trabalha ou quer trabalhar com Java”, organizado pela Globalcode, em parceria com a Universidade Anhembi Morumbi.

O evento contou com 600 inscritos e mais de 200 pessoas na lista de espera. Lotação máxima no auditório. Foi incrível ver um número grande de pessoas capacitadas, inclusive caravanas do interior de São Paulo, como Noroeste, Caraguatatuba e Assis, fazendo presença em um sábado as 8h00. O interessante é que há rumores de que este evento seja semestral, ou seja, aguardem por novas notícias relacionadas a ele para o segundo semestre/2009.

O “Profissão Java” foi um evento inspirado e ligado ao “Open TDC“. Enquanto o último é um evento mais técnico e voltado para os desenvolvedores da plataforma Java, o “Profissão Java” é um evento não-técnico e bastante participativo, fora a gratuidade. Peço desculpas a você caro leitor pela demora de quase um mês em publicar os “reports” relativos a esse evento.

Pretendo por meio desse post colocar o maior número de informações captadas no dia, colocando disponível os tópicos mais importantes de cada palestra.

A abertura do evento, intitulada “A profissão Java”, foi apresentada por Yara Senger, instrutora da Globalcode e esposa do fundador desta instituição (Vinicius Senger). O foco desse introdutório feito por ela foi passar as informações base sobre a instituição Globalcode e o panorama do Java no Brasil. Sobre a Globalcode foram explicitadas informações e missão da instituição.

Sobre o Java no Brasil:

  • Temos em nosso território entre 110.000 a 150.000 programadores Java;
  • Grupos de usuários relacionados a plataforma também são massivos, como o SOUJava, que detém cerca de 30.000 usuários, fora outros 40 outros grandes grupos;
  • Dentro da comunidade Java brasileira já existem alguns membros que pertencem ao JCP (Java Community Process);
  • Grandes projetos governamentais estão ligados a Java: IRPF 2009, TV Digital e Cartão Nacional de Saúde são exemplos.

Existe uma diversidade muito grande de outros projetos, sejam governamentais ou não, relacionados a Java nas mais diversas áreas e locais do Brasil. Podemos citar alguns tipos de aplicações, como WEB, Desktop, Mobile, Embarcados, qualidade de software, TV digital, pesquisa, acadêmicas e etc.

Para encerrar o introdutório do evento Yara citou que um profissional Java deve ter ética, estar atualizado acerca das tecnologias da plataforma, ser certificado, ter um bom inglês (ponto muito citado não só por ela mas por quase todos os palestrantes), participar (ativamente de preferência) de fóruns ou projetos open source e ter comprometimento com o trabalho e as pessoas.

Após o introdutório, que foi muito importante e já mostrava o quão interessante iria ser o evento, teve início o painel “O que as empresas esperam dos profissionais Java?”. Participaram da discussão Dimas Oliveira (Sun Microsystems), Vinicius Senger, Juan Bernabó (Teamware) e Luciano Freire (Universidade Anhembi Morumbi). Vários tópicos foram discutidos de maneira franca e aberta, com a participação do público no final fazendo perguntas a mesa. As posições mais interessantes, fossem elas defendidas ou não por todos os membros da mesa ou do público, discutidas no painel foram:

  • “Ética” dos profissionais das empresas X táticas da organização:  nem sempre estão em sincronia, podendo levar o pensamento do profissional de encontro com as ordens dos stakeholders da organização ou não, e vice-versa. Quem tem razão? ;
  • Organizações devem adotar processos para “inglês” ver ou “inovadores”? como o profissional se adapta? ;
  • “Gap” entre reuniões com executivos e “reuniões de bar”: como resolver esse “abismo”;
  • O profissional que pretende trabalhar com Java deve “pegar pesado”, tanto no estudo ou trabalho. Exemplo dado foram dos profissionais do Yahoo! ou do Google, que passam por muitas entrevistas até serem contratados e devem manter um altíssimo nível de conhecimento para se manterem no posto onde estão. “Nunca o suficiente é o necessário”;
  • Lecionar também pode ser uma alternativa para os profissionais que pretendem trabalhar com Java, pois complementam a troca de conteúdo e se relacionam melhor com as pessoas.

Méritos devem ser dados a Dimas Oliveira neste painel. Ele mostrou o quão é importante ter sapiência do poder que a informação tem na vida de um profissional da tecnologia, seja Java ou outra, e o quanto as informações são voláteis, sendo importante propagar informação ao invés de resguardá-la para si. “A informação aprendida (captada) no momento não mais serve no futuro, só tem importância no agora. Devemos buscar sempre novas ou a mais nova informação, para nos tornarmos um diferencial e nos colocar a frente em relação ao próximo”.

Dimas, engenheiro da Sun, não palestrava para um evento aberto a nove anos (! – aparentemente por motivos de segurança de informação da Sun), e trouxe informações “a mais” e “inéditas” para o público no painel, como o panorama das novidades do Ginga, J-API (Java DTV Specification), especificações JAVA TV – JSR 927 (da Sun e opensource) e JAVA DTV, ressaltando as palavras anteriormente citadas. Esse painel foi muito interessante e trouxe muitas informações para o profissional que já estava a trabalhar com Java, o que não tinha conhecimento de todas essas informações e aquele que pretende em futuro próximo fazer parte desse “ecossistema” tão rico que a plataforma proporciona.

Terminado o painel começou a palestra em conjunto “Certificações Java: dicas que valem para todas as provas”, que foi uma sessão de dicas rápidas de instrutores da Globalcode para aqueles que pretendem se certificar em Java. Participaram dessa apresentação os instrutores Elaine Quintino Silva (Globalcode), Giulian Dalton Luz (Globalcode. Giulian será o meu instrutor na Academia Java), e Thiago Vespa (Globalcode Noroeste e membro do JCP). Abaixo passo rapidamente as dicas mais importantes para quem pretende tirar alguma certificação:

1. Antes da prova:

  • Leitura de algum livro ligado a certificação;
  • Execução de simulados (mock exam);
  • Treino de inglês;
  • Codificação de exemplos em alguma IDE;
  • Comprar um voucher retake (preferencialmente);

2. Durante a prova:

  • Não se precipitar, pois o tempo da prova é suficiente;
  • Há possibilidade de revisão das questões;
  • Use o rascunho (questões de teste de mesa – SCJP);
  • Atenção com palavras em inglês e relação com a pergunta (can, could, always, never, only);

3. Depois da prova:

  • Não se preocupe. O resultado sai na hora;
  • Se passou parabéns, procure pensar em um novo desafio agora! Do contrário procure planejar com mais atenção seus estudos e “ataque” nos pontos mais críticos para você;
  • Tirar um referencial de estudo e visão para uma próxima certificação.

Os palestrantes apresentaram as dicas acima para o profissional que visa tirar uma das 3 certificações abaixo :

Com o público atualizado das informações e “atalhos” para tirar uma certificação e voltando do almoço, teve início a palestra “Como trabalhar com Java no exterior”, ministrada por Mauricio Leal (Gerente de Programas SDN – Sun Developer Networks).  Maurício buscou passar alguns exemplos e dicas para quem pretende trabalhar no exterior, contando um pouco de sua experiência de trabalho (5 anos trabalhando com desenvolvimento em países como Alemanha, França e Irlanda). Antes de tudo é preciso pensar: “porque e para que?”. Essa é uma das primeiras indagações que o profissional deve fazer antes de ir para algum lugar fora do nosso país, pois a variedade cultural e profissional é muito grande. Eis um “passo-a-passo” de como conseguir uma experiência no exterior:

1. Como conseguir?

  • Networking;
  • Conhecimento, específico ou não, de um outro mercado ou cultura;
  • Viagens feitas anteriormente;
  • Experiência no trabalho;
  • Curriculum em outro idioma.

2. O que é mais importante?

  • Idioma (Inglês é indispensável. Saber o idioma local é um diferencial, para países de língua não-inglesa);
  • Competência;
  • Prova de que você “sabe” (Experiência comprovada).

3. Ok, estou em outro país! Como “sobrevivo”?

  • Procure entender a cultura local;
  • Ouça e converse mais com os nativos, não com pessoas do seu país. Essa experiência você já tem;
  • Aprenda o melhor e o pior da cultura;
  • Faça cursos que só existam lá;
  • Nunca, mais nunca, julgue uma cultura.

Para complementar o conteúdo da apresentação Maurício Leal indicou a entrevista de Felipe Melo (fundador da Globalcode Campinas e trabalhando nos EUA pela segunda vez), que conta com mais detalhes como funciona as questões mais burocráticas de visto de trabalho e estilo de trabalho nas empresas do exterior, entre outros pontos. Esta apresentação explicitou muitos fatos interessantes e alguns que poucos sabiam a respeito de trabalho com Java no exterior.

Finalizado o “Guia de sobrevivência no exterior” teve início “Um plano de carreira infalível para você virar arquiteto Java”, por Vinicius Senger (Diretor técnico e fundador da Globalcode). Essa apresentação, por mais que fosse não-técnica, apresentou um “show” de termos. Isso mostrou que o palestrante detinha conteúdo muito abrangente e conciso, sendo um ponto fundamental para inteligibilidade do assunto a ser abordado. A grande mensagem da palestra foi que o Arquiteto Java é também um programador, devendo agir e pensar como tal, e que mesmo sendo programador é possível pensar como arquiteto, desde que você tenha propriedade e conteúdo para tratar os assuntos. O bom Arquiteto Java precisa saber e conhecer como alcançar objetivos. Eis alguns pontos importantes :

  • Preocupe-se com todas as características / fases de um software;
  • Tenha concepção inicial e objetivos de negócios;
  • Conhecer os prazos, orçamento e recursos de equipe é indispensável;
  • Minimize riscos;
  • Faça as funcionalidades de seu software crescerem “saudavelmente”;
  • Tenha testes de todos os tipos;
  • Tenha um ambiente de produção e de reparo;
  • Detenha o “feeling” para fazer as contratações das pessoas certas para a equipe;
  • Saiba quando, onde e porque implementar ou terceirizar algo;
  • Tenha conhecimento das definições de soluções enterprise (SOA, linguagens e plataformas usadas, processos para ambientes em produção, clusters, reaproveitamento de código);
  • Saiba quais são os meios de adaptabilidade (programas de terceiros, múltiplos protocolos, sistemas de segurança);
  • Conheça novas linguagens, programas e protocolos (JSF, TDD, SOA, Design-Patterns, LINQ, Groovy, EJB, JBoss Tattle Tale, GoF Patterns, JMS entre outros);
  • Programa de forma ideal e para entendimento de todos da empresa;
  • Reflita e identifique as dificuldades específicas de cenários de negócio X tecnologia;
  • Compatilhe conhecimento!

O caminho para ser Arquiteto Java é grande, “pesado” e necessita de muita dedicação, sem dúvida. Algumas certificações citadas por Vinicius são interessantes para aqueles que desejam ser mesmo Arquitetos Java, como a SCEA, SCBCD e a TOGAF 9 “The Open Group”. No final das contas uma excelente apresentação, com bastante propriedade.

Parada para um Coffee-break & networking a parte, voltamos para o auditório para as duas últimas palestras do evento. Dando sequência tivemos “Painel com convidados: Eu me dei bem com Java”, que foi ministrada por Edgar Silva (JBoss-Red Hat Brasil), Ana Abrantes, Melissa Villela, Rafael Pereira Nunes (Instrutores Globalcode) e Wagner Santos (Infoq Brasil). No mais foram apresentações contando como cada um alcançou os objetivos, sejam pessoais ou profissionais, por meio do Java. Foram ouvidas histórias de vida, superação, vontade de aprender e amor pela plataforma Java, nos moldes de “cases de sucesso”. E adicionado a isso tivemos doses de bom humor (Edgar Silva principalmente…muitos da platéia se identificavam com as histórias e o bom humor do rapaz) e lições a aprender, pois Java não é só mais uma linguagem de programação / plataforma, mas um conhecimento e desafio a mais a trilhar, a fim de saber como “tirar as vantagens” que ele proporciona.

Para finalizar o evento (depois das várias histórias do Edgar Silva…), deu-se início a última palestra: “Java tem futuro”, ministrada pelo Eng. Pablo J. Madril (Summa Technologies). Pablo expôs uma visão pessoal de como é o Java para aqueles que estão envolvidos com ele (desenvolvedores e empresas) e qual o possível futuro da plataforma. Abaixo as visões das “visões”, por Pablo:

1. Visão do desenvolvedor:

  • Este pode escolher o que estudar, já que as mudanças tecnológicas são muitas e muito mutáveis, criando assim uma grande gama de projetos nos quais podem haver participação;
  • Sofre do efeito “tostines”: existem desenvolvedores porque há mercado ou há mercado porque os desenvolvedores existem? ;
  • Nesse panorama de mercado atual, e levando a crise econômica como variável, deve-se levar em conta numa possível escolha de emprego as perspectivas de futuro e o projeto pessoal e profissional com Java;
  • O profissional deve estudar e se instruir bastante, fazendo investimentos formais ou informais na carreira, pois “não deve haver preocupação em escolher a tecnologia, elas escolhem você”, e nisso os fundamentos do Java vão se aplicando.

2. Visão da empresa:

  • Java é simplesmente funcional e simples, adaptável a qualquer plataforma ou solução;
  • Os modelos de negócio atuais (datacenters, legados de bancos, mainframes, etc.) são totalmente adaptáveis ao Java, portanto mercado existe e continuará existindo;
  • Java é gratuito e aberto (especificações e implementações de referência disponíveis na rede).

3. Futuro do Java:

  • A máquina virtual (JVM) suportará novas linguagens (Ex.: Scala);
  • A máquina virtual é ubíqua: está disponível e é instalável em qualquer plataforma de hardware;
  • A máquina virtual ficará disponível em todas as plataformas de hardware e SO, a exemplo do que aconteceu com o TCP/IP.

Pablo ainda ressaltou esse futuro muito promissor do Java com duas frases conceito:

“The network is the computer.” (SUN). Esse é o conceito Java, e o objetivo do Java é ser a linguagem da rede, seguindo os passos do TCP/IP, que se tornou o protocolo da rede.

“The world is Windows/Intel.” (.NET). Esse é conceito do software pago, restrito, fechado. Logo é uma linguagem restrita, que não é portável para outras plataformas, como a nuvem. É limitada e seu futuro é incerto.

Então quer dizer que o Java é imbatível e definitivamente a plataforma a ser adotada por todos no futuro? Claro que não. Podem haver concorrentes, como em qualquer lugar. Mas quem concorre/concorrerá com o Java? De acordo com Pablo, em uma previsão, o concorrente do Java é o Google: se  a rede é o computador e o Google é a rede, então o Google é o maior concorrente do Java. Isso com o tempo irá transparecer gradualmente.

Mas, o que falta para o Google então? Pablo lista as características faltantes: maturidade, conectividade, solução definitiva de negócio corporativo, falta “abocanhar” os desenvolvedores (efeito “tostines”), entre outros pontos. Mas, é bom ficar de olho quando se fala de Google (mesmo com os 12 bugs desse ano de 2009, até o momento…).

Conclusão:

Faço das palavras que estão no site do “Profissão Java” as minhas:

“O Profissão Java foi um sucesso, muita gente, bons palestrantes e muita energia ao redor da Plataforma e da Profissão Java. Foi o primeiro evento sobre carreira voltado ao profissional que trabalha ou quer trabalhar com Java, e acreditamos ter atingido nossos objetivos”.

As pessoas, o ambiente, a infra-estrutura e as informações correntes nesse evento foram essenciais para aqueles que tinham dúvida ou queriam mais informações a respeito de uma carreira Java. Os envolvidos no evento realmente estão de parabéns.

Obrigado a todos desde já pela leitura deste post. Para os interessados nas apresentações, fotos ou informações mais detalhadas de cada palestrante favor visitar o site do evento. Já estou em vias de escrever um novo relato, relacionado ao evento “Ruby + Rails no mundo real 2009”, que presenciei no último sábado (04-04-09) em companhia de alguns colegas de empresa.

Até a próxima!

Tags: ,

2 Respostas to “Minhas impressões do 1º Profissão Java – 07-03-09”

  1. Fabrício Ferrari de Campos Says:

    MUITO BOM!!!

    Valeu a pena a espera pelo post.
    Você conseguiu resumir bem o que aconteceu no evento, que pelo visto, foi bem legal!

    Gostei da frase: “Nunca o suficiente é o necessário”. Que também reflete, a exigência do consumidor atual (ele sempre quer mais, mesmo que não precise).

    Já estou no aguardo do próximo post (hehe)!

    Abraços!

  2. Minhas impressões - Ruby + Rails no Mundo Real 2009 - 04/04/09 « Blog do Ensinar Says:

    […] último relato de evento escrito para o Ensinar já continha o prenúncio para esse post  (…Já estou em vias de escrever um novo relato, relacionado ao evento “Ruby + Rails no mundo real 20….. […]

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: