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Escola – Fábrica de Pessoas, parecida com a de Software

junho 20, 2010

O Fabrício me emprestou o livro Você Está Louco, do Ricardo Semler. As palestras que já havia visto dele na internet são muito boas, o cara é sensacional. Mas, o tempo passava e eu nunca lia o livro dele, até que ele veio parar na minha mesa. Não vou falar muito mais sobre o livro, vou falar de um aspecto que ele levantou quando falava de escola e do projeto Lumiar, e que tem muito a ver com software.

No mundo de software, muito dinheiro, estudo e tempo foram gastos tentando trazer o conceito de linha de montagem para o software. O paralelo era claro: se entra ferro e sai um carro, pode muito bem entrar uma idéia e sair um software, é só cada um ter sua atividade muito bem definida, sem bem específico. O final da história todos conhecem: este modelo vem fracassando com o passar do tempo e as pessoas têm ido em busca de algo mais humano, que valorize o indivíduo e a interação entre eles.

Até aí nada de novo e o que tem a escola a ver com isso? Vejam a observação que ele faz no livro e que está transcrita abaixo:

Pós-revolução industrial, o importante era fazer transitar massas de crianças pela escola, para alimentar o dragão do mercado de trabalho. Assim, emulou-se a linha de montagem nas escolas, com carteiras fixas, professor para 20 ou 30 alunos (40 ou mais até), estruturar modular de 55 minutos e disciplinas verticalmente construídas.

É… realmente parecia que este modelo estava fadado ao sucesso, muito bem pensado. Assim conseguimos ganhos extraordinários construindo carros. Mas as coisas ficaram mecânicas demais e esqueceu-se de levar em conta que não era só chegar e despejar conteúdo para alunos que são chamados pelo número. É necessário despertar o prazer de ler, aprender, descobrir coisas novas. Você não está despejando conteúdo, está formando a pessoa.

Além disso, assim como na fábrica de software, praticamente não aproveitamos a interação entre diferentes matérias. Existem algumas tentativas em projetos conjuntos, mas as coisas são bem separadas.

Recuperando o contato pessoal

Na proposta de educação do projeto Lumiar, as crianças seriam acompanhadas por um tutor desde os primeiros anos de vida até se formarem. Este tutor cuida de cerca de 15 crianças e determina em conjunto com os pais e as crianças quais as aulas mais importantes para ela no momento. Simples e eficiente. Sem testes, mas sim, o tutor avaliando em conjunto com pais e aluno se ele está pronto para mais conhecimento.  Além disso, as aulas são dadas somente por pessoas que gostem muito do assunto. Faz todo sentido né ?

Educando uma criança, um grande projeto de escopo fechado

Por que ao entrarmos na escola, com cerca de 6 anos, já temos um cronograma definido do que vamos aprender até os 14? Os pais, o tutor ou alguém que acompanhe de perto o aluno e o próprio aluno poderiam definir o que é o mais apropriado para a criança aprender naquele momento, o que irá trazer mais valor para o cliente, no caso a criança.

Como disse o Ricardo Jordão no seu blog, porque raios eu tenho que decorar quem foi Mem de Sá? Está no Google e quando vou precisar disso, quantas vezes você precisou?

É ingenuidade minha, mas nunca havia pensado nas escola como um modelo de fábrica. É claro que tem escolas que tentam ser diferentes, mas achei interessante este paralelo do modelo convencional de escola, com o modelo convencional de software.

Ahh… e leiam o livro, nem é novo…  é muito bom!

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