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Estamos loucos!

junho 25, 2010

Estou ainda na metade do livro do Ricardo Semler “Você está louco!”, mas já foi possível perceber que realmente estamos loucos.

Costumamos ser 8 ou 80 no que se diz respeito ao pensar. Pensamos pouco ou quase nada e tomamos atitudes idiotas/erradas ou pensamos muito e perdemos o tempo e até a paciência para agir.

Vivemos num mundo pseudo-democrático, pseudo pois não sabemos fazer bom uso dessa democrácia. E isso se estende desde a nossa casa até a presidência da república.

Hoje mais do que nunca as pessoas gostam de falar, até porque há muitos meios para isso, desde um scrap até um tweet. Mas sobra blá-blá e falta ação.

Conversamos e conhecemos muitas pessoas, mas na hora que precisamos de alguém para ajudar em algo, é difícil encontrar uma pessoa capaz de ajudar.

Somos acomodados por natureza, e muitos se aproveitam disso para fazerem corpo mole, se preocuparem só com o próprio umbigo. Um pena, uma vez que hoje com a Internet somos capazes de grande ações e mobilizações, mas preferimos mandar CALA BOCA, ao invés, de mandar BAIXAR OS SALÁRIOS DOS LADRÕES DE BRASÍLIA.

A Terra é um lugar complexo sem dúvidas, principalmente porque muitos já perderam a fé no ser humano. Eu ainda tenho um pouco de fé nele, mas confesso que às vezes, é difícil.

Acredito que o Brasil, o mundo, poderia ter muito mais Ricardos Semler do que tem, o ser humano tem uma capacidade enorme para agir, mas muitos fazem sub-uso dessa capacidade, ou pior, usam de forma errada.

Não seremos capazes de virar a nossa própria mesa, até o momento que tivermos preocupados com a mesa dos outros.

Precisamos usar melhor a nossa capacidade e entender que todos nós somos capazes, basta para isso aprender (o Semler tinha metas de leitura de 80 a 100 livros por ano!), agir (aos 22 anos ele já estava num processo de compra de uma empresa a beira da falência), correr atrás (herdeiro da Semco, ele poderia ter ficado sentado esperando o pai passar a empresa para ele) e unidos (o Ricardo Semler não seria tudo que ele é hoje, sem a ajuda de pessoas de confiança e amigos).

Escola – Fábrica de Pessoas, parecida com a de Software

junho 20, 2010

O Fabrício me emprestou o livro Você Está Louco, do Ricardo Semler. As palestras que já havia visto dele na internet são muito boas, o cara é sensacional. Mas, o tempo passava e eu nunca lia o livro dele, até que ele veio parar na minha mesa. Não vou falar muito mais sobre o livro, vou falar de um aspecto que ele levantou quando falava de escola e do projeto Lumiar, e que tem muito a ver com software.

No mundo de software, muito dinheiro, estudo e tempo foram gastos tentando trazer o conceito de linha de montagem para o software. O paralelo era claro: se entra ferro e sai um carro, pode muito bem entrar uma idéia e sair um software, é só cada um ter sua atividade muito bem definida, sem bem específico. O final da história todos conhecem: este modelo vem fracassando com o passar do tempo e as pessoas têm ido em busca de algo mais humano, que valorize o indivíduo e a interação entre eles.

Até aí nada de novo e o que tem a escola a ver com isso? Vejam a observação que ele faz no livro e que está transcrita abaixo:

Pós-revolução industrial, o importante era fazer transitar massas de crianças pela escola, para alimentar o dragão do mercado de trabalho. Assim, emulou-se a linha de montagem nas escolas, com carteiras fixas, professor para 20 ou 30 alunos (40 ou mais até), estruturar modular de 55 minutos e disciplinas verticalmente construídas.

É… realmente parecia que este modelo estava fadado ao sucesso, muito bem pensado. Assim conseguimos ganhos extraordinários construindo carros. Mas as coisas ficaram mecânicas demais e esqueceu-se de levar em conta que não era só chegar e despejar conteúdo para alunos que são chamados pelo número. É necessário despertar o prazer de ler, aprender, descobrir coisas novas. Você não está despejando conteúdo, está formando a pessoa.

Além disso, assim como na fábrica de software, praticamente não aproveitamos a interação entre diferentes matérias. Existem algumas tentativas em projetos conjuntos, mas as coisas são bem separadas.

Recuperando o contato pessoal

Na proposta de educação do projeto Lumiar, as crianças seriam acompanhadas por um tutor desde os primeiros anos de vida até se formarem. Este tutor cuida de cerca de 15 crianças e determina em conjunto com os pais e as crianças quais as aulas mais importantes para ela no momento. Simples e eficiente. Sem testes, mas sim, o tutor avaliando em conjunto com pais e aluno se ele está pronto para mais conhecimento.  Além disso, as aulas são dadas somente por pessoas que gostem muito do assunto. Faz todo sentido né ?

Educando uma criança, um grande projeto de escopo fechado

Por que ao entrarmos na escola, com cerca de 6 anos, já temos um cronograma definido do que vamos aprender até os 14? Os pais, o tutor ou alguém que acompanhe de perto o aluno e o próprio aluno poderiam definir o que é o mais apropriado para a criança aprender naquele momento, o que irá trazer mais valor para o cliente, no caso a criança.

Como disse o Ricardo Jordão no seu blog, porque raios eu tenho que decorar quem foi Mem de Sá? Está no Google e quando vou precisar disso, quantas vezes você precisou?

É ingenuidade minha, mas nunca havia pensado nas escola como um modelo de fábrica. É claro que tem escolas que tentam ser diferentes, mas achei interessante este paralelo do modelo convencional de escola, com o modelo convencional de software.

Ahh… e leiam o livro, nem é novo…  é muito bom!